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ostentacaoCorreu neste últimos dias duas notícias que tomaram conta das redes sociais. A primeira, a respeito de Alexandre de Almeida, capa de uma revista semana, apelidado pela mesma de “O rei do camarote”. Motivo? Alexandre só frequenta baladas em que reserva camarotes. Outra notícia que circulou esta semana pelas redes sociais foi a vinda do artista canadense Justin Bieber, que aprontou de tudo um pouco, como se aqui fosse o quintal da casa dele. Largou show pela metade, dormiu com prostitutas aos montes e pichou um muro. Os dois casos culminam numa palavra que vem sendo bastante usada nas periferias e ganhou a classe média e alta da sociedade, a ostentação virou até ritmo música, o funk ostentação, com letras que exaltam os bens materiais e de consumo que a pessoa possui.

Ostentar não é nenhuma novidade enquanto prática social. Desde os mais remotos tempos, os homens exibiam suas caçadas, vestiam as peles de suas conquistas, deleitavam-se com as mulheres de sua tribo e davam suntuosos banquetes. A ostentação não é nenhuma novidade. O que chama atenção, no entanto, é uma revista dar destaque a ela em sua capa, mesmo que esta seja a revista secundária, no caso a VejaSP, que só circula em São Paulo como anexo da Veja. A mídia, no afã de provocar mais acessos e mais busca por seus conteúdos, dá destaque a assuntos já conhecidos, dando uma roupagem nova e apresentando como se fosse novidade. A ostentação não é novidade para ninguém, e nem é privilégio só do “rei do camarote”, basta entrar num restaurante ou balada para ver a quantidade de smartphones estão nas mãos das pessoas, como que mostrando que elas têm condições de ter um aparelho de última geração.

Ostentar é uma consequência do mercado, você consome, você mostra que tem. Um belo exemplo disso é Justin Bieber, que vem a um país emergente e, por ser de um país rico, se dá ao direito de fazer o que bem entende, vira as costas e vai embora. Ainda vejo gente defendendo o fedelho. Tem fama, dinheiro e por isso ostenta. Acha que tem que provar que é rebelde, que saiu da barra da saia da mãe, então promove noitadas, larga show no meio e picha muro. Aliás, cômico é ver as fotos do Justin pichando com seguranças em volta. Rebeldia de quem cresceu empinando pipa na frente do ventilador e não é capaz de assumir consequências, que aliás, seria interessante que ocorressem. Uma volta de Bieber ao Brasil para responder ao processo sobre o ato.

Ostentação não é nenhuma novidade, todos nós, em algum momento, ostentamos ou fazemos algo para demonstrar que temos a mais que o outro. A questão é como lidos com o que temos e qual o valor disso para a vida e a sociedade. Vivemos tempos em que os valores sociais não são mais tão humanistas assim. O consumo define o valor de tudo e, infelizmente, ser reconhecido pelo que se é não pelo que se tem está cada dia mais difícil.